Porque o que mais fazemos na vida é Contar!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Olimpíadas 2016: orçamento deverá chegar a R$ 30 bilhões

Yuri Freitas
Do Contas Abertas



 
 
As Olimpíadas e Paralimpíadas do Rio de Janeiro já contam com logomarcas oficiais, cronograma de competições, lista de empresas patrocinadoras e até mesmo a bandeira Olímpica – um dos principais símbolos dos jogos – já se encontra em terras tupiniquins. Entretanto, mesmo após o encerramento dos jogos Olímpicos de Londres, ainda não há um orçamento definitivo que englobe os dispêndios exigidos pela empreitada.

O orçamento inicial apresentado no dossiê de candidatura da cidade em 2008 foi de R$ 28,8 bilhões (US$ 14,4 bilhões). A estimativa foi elaborada por equipe multidisciplinar: o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (COJO) contou com apoio técnico de setores do governo federal e do Legislativo, como Banco do Brasil, Tribunal de Contas da União e Ministério do Planejamento.

O documento apresentava, ainda, os valores projetados para 2016, ano do evento: R$ 38,7 bilhões (US$ 16,7 bilhões). O plano orçamentário, contudo, divide-se fundamentalmente em dois segmentos: (i) o de responsabilidade do COJO, destinado ao planejamento, operação do evento e montagem de estruturas temporárias; e (ii) o segmento de responsabilidade do governo, iniciativa privada, etc. (não COJO), que engloba as construções da Vila Olímpica, Vila de Imprensa, estádios, etc.

As despesas decorrentes de ações do COJO contabilizavam R$ 5,6 bilhões a serem totalmente financiados através de contribuições do Comitê Olímpico Internacional (R$ 1,2 bilhão) e subsídios dos governos federais, estaduais e municipais (R$ 1,4 bilhão), além de patrocínio e vendagem de ingressos. O restante (R$ 23,2 bilhões) é de responsabilidade do segmento não COJO, que deveria investir, pelo menos, R$ 8,9 bilhões em estradas e ferrovias, conforme dossiê.

Como aponta o jornalista esportivo José Cruz, “depois que o Brasil ganhou, o orçamento precisou passar por uma atualização. E é isso que o COJO, novamente com os técnicos brasileiros, está realizando. O objetivo é evitar críticas semelhantes às que surgiram por ocasião dos Jogos Panamericanos de 2007, quando o primeiro orçamento, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, ficou em torno de R$ 470 milhões e o evento acabou custando R$ 3,4 bilhões”.

Dentre as inserções no novo orçamento devem constar a construção de um campo de golfe – o esporte passará a ser modalidade olímpica em 2016 –, modificações consideráveis no parque aquático Maria Lenk e a construção de um novo velódromo, aponta José Cruz.

Já o deputado federal José Rocha (PR-BA), presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, enfatiza a importância da Autoridade Pública Olímpica no modo como os gastos das Olimpíadas serão geridos no país, na medida em que ela é a encarregada de estabelecer consórcio entre as três esferas de poder – municipal, estadual e federal –, coordenar e delimitar as responsabilidades de cada ente federado.
Em paralelo, existirá o acompanhamento nas diversas esferas de poder pelos órgãos fiscalizadores – Tribunal de Contas dos Municípios, Estado e União –, para evitar a repetição dos erros do Pan. “O Pan foi um descontrole total, onde um orçamento que previa R$ 400 milhões foi lá para casa dos bilhões. Houve realmente um exagero na previsão dos custos, dos gastos, e não houve acompanhamento em nível de uma entidade que pudesse dar satisfação aos órgãos fiscalizadores”, afirmou o deputado José Rocha.
Rocha também alertou para o risco de o orçamento final – e, por conseguinte, o início das principais obras – ser definido tardiamente. “Na medida em que se acumulam essas obras para o final, elas tendem a encarecer, porque aí você vai ter que usar três turnos de trabalho – como está acontecendo em alguns estádios, agora, para a Copa do Mundo”.

O deputado explica: “na medida em que você usa dois turnos, é um valor. Na medida em que você usa três turnos de trabalho, você coloca pessoal pra trabalhar à noite, com hora-extra e encargos, aí o custo da obra aumenta. Então, por isso é que você tem que dar um tempo maior, para que o custo seja menor, diz.

Para o jornalista José Cruz, que vem acompanhando a questão,“o atraso se deve à complexidade desses orçamentos e à inexperiência do Brasil em apurar um orçamento do tipo. Nós não temos experiência em orçamentos de grandes eventos internacionais, ainda mais em duas moedas – temos que fazer isso em real e transportar depois para dólar – e projetar tudo para 2016. Por isso que entram técnicos de outras áreas, do governo inclusive, para projetar os valores de hoje para 2016”. E acrescenta: “O simples fato de nós termos realizado o Panamericano não quer dizer que a gente tenha aprendido tudo. O Pan tinha 24 modalidades esportivas, agora nós vamos ter 30. O Pan era para 4 mil atletas, agora nós vamos ter 10 mil. O Pan era continental, agora nós vamos ter 202 países representados”, afirmou.

Contudo, Cruz ressalta a importância da ajuda de técnicos estrangeiros – especificamente da Espanha e Austrália – na elaboração do orçamento definitivo. “Estão realizando o trabalho com cautela, com precaução e com pessoas experientes em contas públicas, entre elas do governo, para podermos ter um orçamento o mais atualizado e correto possível”, disse.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário